
A reunião do Conselho Universitário deste 1º de agosto de 2023 teve como ponto alto a aprovação da implantação das políticas de ações afirmativas em modalidades de cotas para ingresso na Pós-Graduação. A aprovação foi por unanimidade, após uma discussão em que estudantes, docentes e técnico-administrativos favoráveis à medida se manifestaram. A reunião pode ser assistida no canal da Unicamp no YouTube!
A luta por cotas étnico-raciais na Unicamp se fortalece em 2016, quando a ocupação da sede da reitoria pelo movimento estudantil tem como uma das pautas principais a institucionalização das cotas na graduação. A isso se segue a decisão que ocorreu em novembro de 2017 pelo Conselho Universitário.
Em paralelo, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e na Faculdade de Educação (FE) se inicia o movimento das cotas nos programas de pós-graduação. E, gradativamente, as cotas vão sendo institucionalizadas em programas de outras unidades (logo abaixo apresento os programas que têm cotas atualmente).
Em março de 2002 foi criado o Grupo de Trabalho para estudo da adoção de cotas étnico-raciais na pós-graduação, presidida pela professora Rachel Meneguello, pró-reitora de pós-graduação na atual reitoria.
Entre outubro e novembro de 2022, o GT solicitou aos programas um posicionamento sobre a adesão às cotas e informações sobre as formas vigentes de cotas naqueles que já as realizam. Dos 83 programas da Universidade, 77 responderam a consulta.
Agora, os dados:
Dentre os 77 programas respondentes, 33 (42,9%) programas adotam cotas ou estão em vias de realizar a primeira seleção com elas. São os seguintes programas:
IFCH_ 10 programas (Ambiente e Sociedade, Antropologia Social, Ciência Política, Ciências Sociais, Demografia, Filosofia, História, MP ProfHistória, Relações Internacionais e Sociologia);
FE_ 2 Programas ( Educação e MP Educação Escolar);
IEL_4 (Linguística, Linguística Aplicada, Teoria e História Literária e Divulgação Científica e Cultural);
IE_2 (Ciência Econômica e Desenvolvimento Econômico);
IA _4 (Artes da Cena, Artes Visuais, Multimeios e Música);
IG_4 (Ensino e História e Ciência da Terra, Geociências, Geografia e Política Cientifica e Tecnológica);
FCA _1 (Interdisciplinar em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas).
Os programas que estavam em 2022 em vias de realizar a adoção de cotas já em 2023 localizam-se nas unidades:
FCA_2 (Administração e Engenharia de Produção e de Manufatura);
FCM_1 (Gerontologia);
FEA _2 (Ciência de Alimentos e Tecnologia de Alimentos) e
IFGW_1 (PECIM_ Programa Multiunidades em Ensino de Ciências e Matemática)
31 (40,2%) programas dispõem-se a adotar as cotas nos próximos processos seletivos, ou vão encaminhar discussões internas nessa direção.
13 (16,9%) programas declararam que não consideram adotar cotas em seus processos seletivos.
Entendo que é muito importante que as cotas se disseminem em todos os programas da Unicamp. Aliás, uma iniciativa nacional, puxada pela CAPES, pela implantação de cotas nos programas de pós-graduação do Brasil seria muito bem-vinda. Infelizmente ainda há um gargalo considerável nas bancas de seleção de pós-graduação, sobretudo nas áreas de exatas e biológicas e isso precisa ser superado.
As seleções de pós-graduação precisam ser republicanas, sem favorecimentos e sem que reproduzam o racismo institucional. As cotas tornam mais democráticos os processos seletivos e são muito bem-vindas. Depois de mais de 20 anos de programas de cotas para a graduação nas universidades federais, não é possível que não existam profissionais e acadêmicos capacitados para a pós-graduação em TODAS as áreas do conhecimento.
PS: os dados acima constam do Relatório Final do Grupo de Trabalho para Adoção de Cotas Étnico-Raciais na Pós-Graduação da UNICAMP.
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